Porquê?
Saber que nada mudou
Embora tudo assim tenha mudado
Abrir um livro de páginas pegadas
Por cada uma lida, cada uma rasgada
Pensar que sim, quando sempre foi não
Fechar a boca, não falar, não confessar
Não admitir, não amar
Fazer de conta, vivendo num abismo
No qual tanta dor, tanto egoísmo
Assim se notam, se transformam
Voltam a lutar
Ser levado na sombra, pelo medo engolido
Pela verdade que assombra
Um desejo tão perdido
Um amor tão esquecido
Nada mais sobra, tudo ficará pó
Renasce das cinzas aquilo que o tempo levou
Faz-se à estrada, um longo matagal
Por cada pisada igual, por cada afundanço
Sem qualquer balanço
Viras a próxima rua
Já não encontras nua
Essa mulher tão amada
Que em tempos rejeitada, se lançou à estrada
Caminhou pelas montanhas
Pelo tempo mais tenebroso
Que chorou rios de lágrimas
Lavando-as em folhas de árvores de Primavera
Sarou a sua ferida
Que toda ela comida
Despertou ao seu encanto
À sua paixão, ao seu mundo
Que tão profundo
Sorriu abertamente, ardentemente
Cansaço, pura exaustão
Foram as marcas varridas
Agora nunca relembradas
Agora para sempre esquecidas.
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