sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sofri.

Não compreendo, não tento compreender
Prefiro esconder-me, atrasar-me
Libertar-me dessas guerras
Que assim me esmagaram
Fortes tempestades em tão pequenos espaços
Longe de qualquer forma ou olhar
Longe de tudo
Ingenuidade chega ao mais pequeno traço
Fugir do que penso, do que faço
Limitar o sentimento a palavras vagas
Dicotomia vazia, não morre
Nada a perder e ter tudo por segurar
Acreditar no vazio
Imaginar o que perdi
Fala-me de palavras soltas
Dir-te-ei o que sofri.

domingo, 24 de abril de 2011

Nunca Poderei Mudar.

Encontrei-me na esperança
De me esquecer o que é a mudança
Falei de feitos e memórias
Contei a mim mesma falsas histórias
Com escassa segurança
Perdi-me na solidão da minha alma
Conquistei alegria e mágoa
Seguindo sempre um caminho de bonança
E essa mudança
Que nada mudou
Facilitou-me as escolhas e assim ficou
Anoiteceu tarde e brilhou no céu
Tapou-me a vista
Definiu-me uma conquista
De que tudo valeu
E então essa ausente mudança
Sem que eu pedisse, assim permaneceu
Como quando eu queria que tu fosses meu
Longe do que desejava
Ainda mais longe de quem mais amava
Assim nunca chegou a mudar
Aquilo que mais queria
Que nunca poderei mudar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Multidão.

Movem-se ventos e distâncias
Sem quaisquer mentiras ou esperanças
Longe de todo o pesadelo tornado
De um longo e intenso passado
Fintam-se marés a alcançar
Sonhos e realidades por encontrar
Noites calmas e vagas
Como névoa e sol juntando
Numa passada leve e calma
Sem pensar ou poder, sem continuar a esquecer
Chorar gritos de amor e paixão
Fortes ligações sem conseguir perdão
Encontrar a paisagem que iluda essa miragem
Fontes de calor intenso por frio gélido
Largas escalas de saudade em vão
Longe de quem amas
Perto de quem chamas
Sentes o que queres e que olhas
Sentes dentro de ti
Dentro do teu coração
Que por muito que avance
Estarás na multidão.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mudaste.

Mudaste
Os teus olhos não são os mesmos
As palavras são vagas
E os pensamentos neutros
Fugiste
Tornaste-te igual
Igual a outra coisa
Diferente de tudo o resto
E assim te transformaste
Em ouro e ferrugem ao mesmo tempo
Sem dar conta de que o vento
Levar-te-ia a outra margem
E esperaste
Não o suficiente para me olhares
Nem o excelso para me ouvires
Mas o tempo certo para te afastares
Dentro dos teus feitos
E das tuas vontades
Nas quais, guardas tuas liberdades
Mudaste
Já não sei quem tu és
Ou quem poderás ser
Sei que um dia, quando morrer
Conseguir-te-ei esquecer.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Guarda-me.

Guardas o que de dentro
De dentro podes guardar
Sonhos, pensamentos e momentos
Que de sítio nenhum, podem escapar
Guardas esse sentimento
Essas palavras daquele instante
Voas alto mas falas distante
De lado nenhum poder-te-ia ver
Fazes-me acreditar que nem tudo é esquecer
Lado a lado e cabeça erguida
Mergulhamos orgulho em alma sofrida
Longe de todos mas perto de nós
Fazemos desta história um caminho
Nunca percorrido sozinho
Na imensa solidão
Aceitas dizer que sim, mesmo que ainda em vão
Abraçar-te com o peso da parte que não esqueci
Querer-te com o desejo que nunca esqueço e esqueci
Amo-te com o coração
Que há tempos, perdi.