sábado, 25 de dezembro de 2010

Ilusão.

Não partas
Sei tudo
Como o vento que faz voar
Não sigas por ilusão
Um sentimento perdido
Sem explicação
Uma vontade tentadora
Mais do que qualquer razão
Não olhes para essa miragem
Tanto mais seria uma viagem
Sem compreensão
Não mais caminhes nesse sentido
Onde tudo e nada está perdido
Onde qualquer coisa faz sentido
Não atices essa mentira
Que já nada partira
Onde muito está escondido
Onde jamais algo se pode revelar
Não escutes esse pensamento
Que te envolve, negro, por dentro
Que não escolhe e que não espreita
Não mais voltes
Nada mais existe, tudo só
Porque me falas?
Porque me escutas?
Parte e nunca mais te iludas
Pois a ilusão é apenas
O princípio da destruição.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal.

Mais um ano
Mais um dia, uma semana
Mais um capítulo
Uma voz, um abraço
Mais um beijo
Mais um adeus, uma lembrança
Carinho, ternura, ódio
Mais um choro
Mais um sorriso
Mais uma memória,
Mais tristeza, mais felicidade
Mais saudade
Mais uma verdade
Mais uma esperança
Uma página, um amigo, um desconhecido
Algo mais perdido
Mais uma vez
Mais um sonho
Mais um nome a recordar
Algo mais a esquecer
Mais um perdão, mais uma mão
Sempre algo mais
E um Feliz Natal…

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Perdido.

Perdi o teu olhar
Deixei-o na escuridão
Aquecendo cada gesto
Esfriando o meu coração
Perdi a minha palavra
Quando me tocaste
Quando senti o teu calor
E quando, depois, me beijaste
Tenho perdido cada momento
Cada memória me foi trazida
E com as palavras abertas
A tua mente nunca esteve perdida
Perdi quando me perdeste
Conquistei por te perder
Andas perdido em tão grande mentira
Como o dia em que te pude esquecer
Saudade e desejo tão dispersos
A mágoa, o sentimento em desgosto
Deixei eu os meus sonhos tão longe
Para um dia te poder encontrar
E sorrir no teu rosto
Sombras serão sempre sombras
E a dor que eu sempre sentir
Não será nunca por te deixar
Mas sim por te ver partir.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Longe de Ti.

Longe de ti
Mas tão perto do teu coração
O mundo parou sem razão
E a voz ecoou sem perdão…
Longe de mim
Mas perto da verdade
Respondo desilusão e tranquilidade
Retiro a ilusão e descubro em mim
Uma nova realidade…
Longe de quem
Aos olhos de ninguém, desapareceu
E aos meus por muito tempo se esqueceu
E ao mesmo tempo, se perdeu…
Longe de um sonho
Que, há muito, fora eliminado
E que um dia será relembrado
Como pura memória e imaginação…
Longe de uma realidade
Que, tão perto da saudade,
Me levou estendida
Nesta arca perdida,
A que chamo coração.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fogo.

Acendi uma Fogueira
Naquela manhã de Inverno
E senti o Fogo a segura-la
O quente que se espalhava
Como que nada atirava
E ateei o Fogo, mais do que esperava
As chamas invadiram o ar
Já nada mais podia pedir ou esperar
Era tudo o que queria e quis tentar
E ateei o Fogo, esse que não queimava
Que mais tarde se fez sentir, e logo me espantava
Ardia-me as mãos e os pés
Queimava-me e queimava-me outra vez
Não quis mais atear o Fogo,
Irreconhecível que estava e estalava
Agora que apenas por cinzas espreitava
Mas soube que em tempos me pôde aquecer
Deixou-me uma marca que nunca pude esquecer
Senti o seu calor
Senti-o na minha mão
Mas mais do que qualquer parte do corpo
Sentia-o no coração.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eu era Livre.

Voaram todas as barreiras
As correntes assim se afastaram
Eu era livre.
Podia agora sentir mais, viver mais
Conseguia reagir e formar
Sentia o meu coração crepitar
O que não era, assim se tornou
Sentimento tão forte
E ao mesmo tempo tão fraco
Podia ser eu comigo mesma
Podia ser quem eu quisesse ser
Persisti, resisti e nunca desisti
Assim se levantou aquela fortaleza
Devagar, por pura Natureza
Eu era agora o que sempre sonhara ser
Eu era livre.