quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Então, aconteceu.

Então, as suas lágrimas
Formaram-se em gotas do oceano
Então, os seus cabelos
Tornaram-se longos como o engano
E então ali estava
Sozinha no desgosto
Não por pura liberdade
Mas por puro encosto
Forma-te rio sereno
Junta-te a este caminho
Encontro-me tão distante
E de ti, tão sozinho.

Quem me dera...


Quem me dera poder navegar
Nesse teu profundo olhar
Onde mais ninguém podia ir

Subir à mais alta nuvem
Ver tudo tão longe de nós
Mais ninguém o podia sentir.

Oh, mar!


Oh mar, atira-me o teu sal
Deixa-mo sentir na pele, sabor das conchas
Oh, aquelas que foram e não voltam
Aquelas que a saudade apanhou
Mas que hoje voam
Oh mar, atira-me o teu mundo vivo
Pois mantém-me viva a mim
Mesmo que esse mar fique
Não ficarei eu assim
Oh mar, atira-me essa pureza
Esse dom de beleza
Que guardas dentro de ti.

Lágrimas de um Rio.


Lágrimas de um rio
São lágrimas de santos pecados
Água da fonte da minha alma
Água vinda de rios parados
Noites de chuva, em que o rio drena a paz
Em que o destino traz
A triste…madrugada
Repousar uma barca em seu caminho
Não me posso sentir sozinho
Tudo passa, pelo rio
Quero sentir essa corrente
Sentir que não estás ausente
Deito ao rio, esse vento
Quantas chuvas passarão
Nesse rio que é tão são
Que anda ao sabor do tempo
Lágrimas de tal rio, passam-me num arrepio
Lavo minha alma com tais lágrimas de calma
Dorme agora, paixão
Amanhã o rio volta.

Brisa.

Abre uma janela
Sentes essa brisa de medo?
Essa brisa tão fria como as pessoas?
Essa brisa que te gela o coração?
Essa brisa que precisa sempre de algo mais quente?
Essa brisa que entra mas também pode sair?
Essa brisa que voa pela tua casa e invade os sentimentos?
Essa brisa tão vasta como o mundo que te rodeia?
Essa brisa tão difícil de agarrar e tão pouco controlar?
Essa brisa tão curta que tens medo de perder?
Essa brisa tão comprida que nunca te fez esquecer?
Essa brisa…
Apenas te avisa.